
Sul da França – Os Democráticos Vinhos do Languedoc-Roussillon
Durante muito tempo, os vinhos dessa região foram considerados de qualidade questionável, mas aos poucos esse preconceito vem sendo quebrado
Durante muito tempo, os vinhos dessa região foram considerados de qualidade questionável, mas aos poucos esse preconceito vem sendo quebrado
Os vinhos do Languedoc-Roussillon têm uma história milenar. O início de tudo se deu em torno de 150 a.C., quando os gregos ali chegaram e ficaram encantados com a possibilidade de elaborar um produto de alta qualidade. Mas, logo depois, vieram várias políticas protecionistas que prejudicaram a produção de grandes vinhos na região. Primeiro com os romanos, que entendiam que os vinhos do Languedoc-Roussillon, com o seu perfil único, poderiam prejudicar o comércio do vinho do Império. Depois pelos produtores da clássica região de Bordeaux, que, por motivos similares aos dos romanos, também boicotaram os vinhos do Sul da França.
DE OLHO NO MERCADO
Durante muitos séculos, a região ficou à mercê de produzir a grande maioria dos seus vinhos de qualidade questionável, com os valores bem baratos, atendendo a uma fatia do mercado que regiões mais clássicas não conseguiam atender. Porém, o que não faltam são fatos históricos que comprovem o potencial de qualidade desses vinhos franceses. No Languedoc-Roussillon já se fazia o famoso Vin Doux Naturels (que é uma referência da região até hoje) 400 anos antes de ser produzido algo similar na cidade do Porto, em Portugal. E, também nessa região, já se produziam belos exemplares de vinhos espumosos − para ser mais exato, em Limoux, bem antes dessa bebida “reinventar” a região de Champagne. Hoje, os vinhos do Languedoc-Roussillon estão em ascensão no mercado, pois se localizam em um terra considerada promissora e de grandes oportunidades. Talvez tenha sido uma das regiões não só da França, mas também de toda a Europa, que melhor se adaptou para atender a um novo mercado de vinhos, de um público jovem, adepto a um vinho mais direto e cheio de caráter. Os produtores estão cada vez mais preocupados em resgatar a qualidade que sempre tiveram, deixando a quantidade de lado. Sinal disso é a queda da produção local, que, num espaço curto de tempo, diminuiu em torno de 7 milhões de hectolitros de vinho em comparação com anos anteriores. Não à toa, a crítica de vinhos inglesa Jancis Robinson descreve o Languedoc-Roussillon como uma das regiões europeias mais democráticas, que oferece uma das melhores relações de qualidade e preço de todo o mundo. Afinal, de onde mais você conseguiria comprar um belo exemplar de Gran Cru por um pouco mais de R$200 em pleno mercado brasileiro? Talvez os vinhos do Languedoc-Roussillon estejam no seu melhor momento. Vale a pena conferir!
SUGESTÕES DO SOMMELIER
O sommelier Gustavo Giacchero é uma das maiores autoridades em vinhos do país
MUSCAT DE RIVE- SALTES ARNAUD DE VILLENEUVE
Muscat de Rivesaltes
Preço médio de mercado: R$ 169,00
(importadora Del Maipo)
BANYULS ROUGE M. CHAPOUTIER
Banyuls
Preço médio de mercado: R$ 224,00
CHÂTEAU PEZILLA
Côtes de Roussillon Village
Preço médio de mercado: R$ 149,00
CUVÉE F - DOMAINE FERRER RIBIERE
I.G.P Côtes Catalanes Preço médio de mercado: R$ 120,00 (importadora Premium)
DOMAINE GAUJAL PICPOUL DE PINET
A.O.C Picpoul de Pinet Preço médio de mercado: R$79,90
(importadora Mon Caviste)
LES BARTELLES MAS DE SOLEILLA
Gran Cru La Clape
Preço médio de mercado: R$210,00
(importadora Casa do Vinho)


