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Fotografia da matéria: O Must Have da Coquetelaria

O Must Have da Coquetelaria

Gin ganha versões autorais e consistentes em destilarias mineiras

Habitué das altas-rodas na década de 1980, o gin voltou à cena pop com força total. O destilado de origem holandesa, preparado a partir da infusão de cereais, principalmente os grãos de zimbro, tem sido festejado como a bebida mais cool e atual da coquetelaria internacional. Marcas tradicionais europeias, como a Tanqueray, a Beefeater e a Monkey 47, têm cruzado o Atlântico e aportado no Brasil, mas se deparam com um mercado nativo já em formação, inclusive em Minas Gerais. Uma das destilarias pioneiras do terroir mineiro é a Ivy, de Belo Horizonte. Abre-alas da casa, o rótulo Ivy Mar valoriza sabores e aromas trazidos pelos imigrantes: leva álcool-base de cana, zimbro, coentro, noz-moscada, canela, cardamomo, laranja e limão-siciliano. Ainda serão lançados o Ivy Terra, representando as culturas e os ingredientes brasileiros; e o Ivy Ar, uma homenagem à miscigenação dos trópicos. Além da trilogia, a marca trabalha com a linha Territórios Yvy, uma série de seis gins que caracterizam os sabores e a cultura dos biomas brasileiros. “Em tupi-guarani, ‘Yvy’ significa ‘território’, ou ‘o chão em que pisamos’. Como negócio, queremos encontrar formas para estarmos mais conectados a todas as comunidades e ingredientes que coexistem aqui no Brasil, esse enorme território que todos nós pisamos. Tem sido uma experiência transformadora conhecer a diversidade e a mistura de comunidades e culturas que formam o Brasil”, descreve André Sá Fortes Pinheiro, CEO e cofundador da marca, ao lado do britânico Darren Walden Rook. Até o momento, já foram lançados o Ivy Cerrado e o Ivy Mata Atlântica, em edições limitadas a 1,2 mil garrafas. GIN DE CERVEJARIA Referência no ramo das cervejas artesanais mineiras, a belo-horizontina Backer também apostou sério no gin, com o lançamento do Lebbos, em 2018. O diferencial da receita é a adição de flor de lúpulo. “Somos uma cervejaria, e o uso de ingredientes cervejeiros está em nosso DNA e de todos os nossos produtos. Por isso,

decidimos adicionar lúpulo para dar as características herbais e florais de amargor e aroma à bebida. Escolhemos um malte de cereais da melhor qualidade, bem neutro, para a produção de um gin clássico, de forma que o lúpulo se destacasse bastante”, declara Paula Lebbos, cofundadora da marca. O resultado é um gin leve, sutil e de botânicos muito aromáticos. E, mal foi lançada, a bebida já exibe dois prêmios internacionais. O primeiro veio da competição internacional SIP Awards, na Califórnia, em maio de 2019: o Lebbos recebeu o bronze na categoria Contemporânea, com julgamento dos próprios consumidores, em teste cego. Na sequência, o gin levou medalha de prata no International Wine and Spirit Competition (IWSC), concurso já realizado há 50 anos no Reino Unido. Outra novidade no mercado é o Velvo, lançado em abril de 2019. Inspirado em Guimarães Rosa – o neologismo “velvo” foi cunhado pelo escritor em Grande Sertão: Veredas, a partir do inglês velvet (“veludo”), para designar uma planta de folhas aveludadas –, o gin procede de uma destilaria em Capim Branco, dentro da Fazenda do Pinheiro, no cerrado mineiro. A produção utiliza 12 botânicos da região: zimbro, pimenta-da-jamaica, pimenta-rosa, coentro, cardamomo, hibisco, angélica-raiz, casca de limão-siciliano e limão-capeta, erva-doce, canela em pau e um ingrediente secreto. A mixagem conduz à apresentação de um gin de aromas potentes e sabor levemente cítrico e picante, em duas versões: o Velvo Botanic e o Velvo Artice, este com processo de maceração individual. Espaços da moda não faltam para provar essas e outras marcas. Entre eles, está o bar de drinques Lolita Bubble Gin, no Vila da Serra. Comandado pelo mixologista Cyro Oliveira, o local tem drinques clássicos, como o Negroni, criação florentina que casa gin, vermute e Campari; o Dry Martini, com vermute; e até variações do old school gin-tônica, que voltou ao mainstream pelas mãos de Ferran Adrià. É o caso, por exemplo, do Three Lemons, com o suco dos limões Taiti, siciliano e capeta; do Barioni, com flores de sabugueiro e limão; e o Berries, com vermute, amarena, amora e morango. Há também invencionices para o tropical gin, que, originalmente, leva energético. Aqui, ele ganha a companhia de beterraba e frutas vermelhas, no drinque Rouge; cumaru, abacaxi, gengibre e espuma de limão-siciliano, no Cumuru; manga, sucos de laranja e limão e xarope de melão, no Mangá.

Capa da edição 38 Publicada na edição 38Folheie a edição completa, do jeito que ela circula.
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