
Em pouco mais de uma década, o mineiro Leo Paixão construiu uma trajetória que para muitos poderia parecer improvável. Logo depois de formar-se médico pela UFMG, em 2006, percebeu que era na cozinha onde queria passar o resto de sua vida. O gosto pela alquimia gastronômica, ele adquiriu dos avós, com quem conviveu durante a infância depois da separação dos pais. “Meu avô era cientista e químico, e acho que dentro da cozinha ele se encontrava num laboratório de sabores e sensações diferentes e eu sempre estava ali com ele. Com o tempo, passei a ajudá-lo cada vez mais”, relembra. Determinado a seguir adiante em sua escolha, Leo exerceu a profissão de médico o tempo suficiente para juntar dinheiro e mudar-se para a França, onde estudou gastronomia na escola Ferrandi, em Paris. De lá, já em 2010, seguiu por diversos estágios em restaurantes estrelados, como Joël Robuchon, Pierre Gagnaire e Nicolas Magie. De volta ao Brasil, prestou consultoria de quase dois anos no Taste-Vin, um dos bistrôs mais sofisticados de BH, inserindo novos processos e pratos, o que resultou em diversas premiações. Em 2013, abriu o restaurante Glouton, também na capital mineira, de onde saem pratos contemporâneos, preparados com muita técnica e inspirados nos produtos mineiros. A partir daí, começou a conquistar prêmios que o destacaram no cenário nacional. Em 2018, foi eleito Chef do Ano pela revista Prazeres da Mesa. Hoje, além do Glouton, Paixão é proprietário do Nicolau Bar da Esquina e do Nico Lanches − outras duas casas que servem lanches e petiscos em Belo Horizonte. “Eu gosto de fazer todos os tipos de comida. Eu acredito e aprecio muito essa
Nas imagens ao lado: o clássico Ossobuco, do Glouton; a área externa do restaurante; os deliciosos bolinhos do Nicolau Bar da Esquina
diversidade gastronômica. Apesar da complexidade ou da simplicidade da comida, o importante é fazer tudo da forma mais artesanal possível. Por isso, tudo o que é servido dentro das minhas casas é produzido pelo grupo. Eu tenho uma padaria, uma produção de embutidos, produzimos os sorvetes... Isso pra mim é qualidade. Num hambúrguer, por exemplo, desde o pão até o molho, tudo é produzido por nós. Por mais que seja um lanche simples, ele é extremamente pensado e trabalhado. Uma grande comida não é necessariamente uma gastronomia complexa, mas uma cozinha feita com muito carinho e técnica sobre os produtos”, explica. NOVOS PROJETOS

Neste ano, em que Belo Horizonte recebeu o título da Unesco de Cidade Criativa da Gastronomia, o chef mineiro anuncia a abertura de dois novos empreendimentos e diz que esse título foi algo muito importante para toda a cidade: “É o reconhecimento de que, realmente, a gastronomia é um fator extremamente importante da nossa economia e eu acho que esse é só o começo. Agora é continuar buscando investimentos para alavancar ainda mais o crescimento do setor, estimular o turismo e gerar emprego”. Sobre as novas casas que serão abertas em 2020, os mineiros poderão conhecer dois outros talentos gastronômicos de Leo Paixão. Um dos empreendimentos será um bar de coquetéis, jazz e tapas, que ele tocará junto com o irmão, Gabriel Azevedo. “Nossa ideia é trazer de volta o glamour dos bons anos do centro de Belo Horizonte com muito bom gosto. O bar funcionará no Automóvel Clube, que está sendo restaurado e revitalizado à moda da época em que foi construído”, anuncia.
Para a segunda abertura, o chef faz um pouco de mistério, mas adianta que será um restaurante de cozinha italiana em homenagem à sua bisavó. EXPERIÊNCIA NA TV
Além dos mineiros, o Brasil todo está tendo a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre Leo Paixão pelo reality gastronômico Mestre do Sabor − exibido na TV Globo e no GNT −, no qual ele é um dos jurados. Ao lado dos chefs Kátia Barbosa e José Avillez, ela carioca e ele português, Leo tem a missão de comandar uma equipe de jovens chefs brasileiros, além de julgar os pratos feitos por eles. “Chegar à televisão para julgar outros profissionais é complicado porque gosto é algo muito subjetivo. Eu tento ser o mais justo possível na minha avaliação, levando em conta apenas a qualidade técnica nos pratos”, afirma. Para ele, o que o público está vendo no programa é uma seleção de profissionais extremamente competentes, de todos os estados brasileiros, que estão fazendo um programa muito diverso e representativo e mostrando muito de suas experiências regionais. “E é claro que foram escolhidos grandes talentos e pessoas muitos capazes, o que tem deixando o programa tão interessante e competitivo”, destaca. Leo conta ainda que atrás das câmeras a experiência dessa troca de conhecimentos entre esses grandes talentos é ainda maior: “Nos bastidores, a gente procura aconselhar e, como inspiração, orientar que eles tentem cozinhar o que já sabem fazer. Que não inventem loucuras na hora, porque a invenção de um prato novo requer todo um processo até ficar bom. Não é em uma hora que você cria um conceito, executa e faz um prato perfeito. Nesse tempo, você executa um prato perfeito, o qual já sabe cozinhar, além, é claro, de ter calma e concentração”.


