
Loewe faz do inverno um jogo de arte e proporção
Jack McCollough e Lazaro Hernandez levam Cosima von Bonin ao Château de Vincennes e ampliam a linguagem divertida da maison.
Para sua segunda coleção à frente da Loewe, Jack McCollough e Lazaro Hernandez escolheram um cenário de peso histórico e um olhar artístico cheio de ironia. O desfile de outono-inverno 2026/27 ocupou o Château de Vincennes, nos arredores de Paris, em diálogo com obras de Cosima von Bonin.
A artista alemã é conhecida por esculturas têxteis monumentais, personagens marinhos e objetos que misturam humor, estranhamento e ternura. Dentro do castelo, suas presenças inesperadas criaram um ambiente quase lúdico — terreno perfeito para uma coleção interessada em deslocar escalas e questionar o modo como o corpo ocupa a roupa.

Volume com leveza
Parkas e cachecóis infláveis aparecem como formas ampliadas, enquanto vestidos de aparência líquida são produzidos com látex brilhante impresso em 3D. O contraste entre tecnologia e gesto artesanal atravessa o desfile. Em outros looks, o couro assume texturas de bouclé e tartã, confirmando a habilidade da Loewe de fazer um material parecer outro.

Essa troca de identidades é um dos pontos mais interessantes da coleção. Superfícies familiares se revelam inesperadas quando vistas de perto; peças volumosas conservam uma sensação de movimento; e detalhes de construção transformam o exagero em precisão.
A Amazona aos 180

Nos acessórios, a Amazona 180 celebra os 180 anos da maison. O número não funciona apenas como aniversário: a nova interpretação propõe uma mudança de atitude, mais flexível e descontraída, sem apagar a arquitetura que tornou a bolsa reconhecível.
McCollough e Hernandez parecem interessados menos em romper com a Loewe do que em descobrir novas possibilidades dentro de seus códigos. O couro continua no centro, mas surge manipulado com liberdade; o surrealismo permanece, porém menos cerebral e mais físico; o artesanato continua rigoroso, mesmo quando o resultado parece uma brincadeira.

Moda para olhar duas vezes
A presença de Cosima von Bonin reforça essa ideia. Suas esculturas não explicam as roupas, e as roupas não ilustram as obras. Juntas, elas constroem uma atmosfera onde o absurdo pode ser elegante e a sofisticação aceita o humor.

É uma coleção feita para ser observada de longe e novamente de perto. Primeiro vêm as silhuetas, grandes e gráficas. Depois aparecem as texturas, os truques de matéria e as soluções técnicas. Nesse segundo olhar, a Loewe encontra sua melhor expressão: aquela em que o luxo não está apenas no acabamento, mas na surpresa de descobrir como cada coisa foi imaginada.

Fonte editorial: https://www.lvmh.com/en/news-lvmh/playful-spirit-for-loewe-fall-winter-2026-2027-collection · Imagens: Divulgação/Loewe e LVMH
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