
Sobre as Curvas de Niemeyer
Conteúdo editorial publicado na edição 41 da Revista Diverso.
DECOR
SOBRE AS CURVAS DE NIBMEYER

No apartamento do Edifício Niemeyer – um dos ícones da Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de BH −, os espaços se compõem através de curvas, obras de arte e mobiliário pontual. Uma das características mais presentes na vida da moradora é sua paixão pela mescla entre as artes contemporânea e popular, que se balanceiam pelos espaços dando toques por vezes rústicos e por vezes mais polidos e modernos. Um dos quartos deu lugar a uma sala íntima, e o corredor é, na verdade, uma galeria que leva aos quartos e ao escritório. Espaços com formatos pouco convencionais são um grande desafio e, no início desse processo, é necessário definir o rumo a se seguir buscando entender as dimensões a serem trabalhadas para tudo ficar esteticamente agradável. As linhas curvas e com poucos ângulos retos dessa planta nos permite propor um layout mais descomplicado e orgânico, fazendo uma distribuição do mobiliário que, de certa forma, vai se encaixando por entre esses côncavos e convexos pensados por Niemeyer. Na mobília, peças assinadas que seguem essa vertente mais contemporânea, como a chaise do Charles Eames, peças da Vitra, do Sérgio Rodrigues… dentre outras. Com tantas obras compondo o espaço, foi preciso dar ênfase à iluminação para que ela destacasse os diversos objetos da casa. Por isso, foi realizado o resgate da iluminação original − ela era toda indireta através de arandelas e luminárias de piso −, o que deu ao projeto um sentimento de acolhimento. Para a cozinha do apartamento, foi feita uma mistura entre objetos mais naturais e alta tecnologia nos eletrodomésticos. O objetivo foi manter presente essa dualidade vista em outros pontos do apartamento. A entrada desse espaço abriga um mural de azulejos assinado por Amílcar de Castro, fonte de inspiração para os tons de preto, vermelho, azul, branco e amarelo que compõem o resto do ambiente. A cozinha ainda conta com sua própria horta − desenvolvida em potes de barro que trazem o leve toque rústico também presente em outros momentos no projeto. Na ampla sala, o espaço permitiu segmentá-la em três momentos possíveis de recepção: um de estar; outro de jantar; e um terceiro de reunião mais íntima. Apesar de suas linhas arredondadas e pouco convencionais, os espaços ficaram ainda funcionais para a rotina da moradora. Por fim, foi criado dentro do projeto um escritório para o trabalho da moradora durante o isolamento. É o espaço onde ela pode relaxar e se sentir acolhida, sendo também produtiva nos momentos necessários.
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