
O som da fé
A fé não se define em uma palavra ou gesto. Em um fato ou mesmo religião.
Não é simples entender a fé.
A fé não se define em uma palavra ou gesto. Em um fato ou mesmo religião. Em uma pessoa, ou várias. Nem em uma música, ou no silêncio.
Ao mesmo tempo, ela existe. Em uma palavra ou gesto. Em um fato ou religião. Existe na música e no silêncio. A fé é o que resiste em todos nós. A fé é o que resistiu na senzala. Como música. Como dança. Como cor.

É sobre a fé a história do Candombe. Uma homenagem à Nossa Senhora do Rosário. Mais que isso: uma celebração da ancestralidade e da vida, interagindo elementos católicos aos de origem africana, com uma pitada de influência do cotidiano da senzala, das matas, do campo. Fruto direto da escravidão, se tornou livre. Virou canto aos santos e música aos que não são. Celebra entidades e pessoas. Canta a senzala para fora da gaiola. Traz no toque do tambu (tambor sagrado) o desejo de liberdade. De oportunidade. De existirem como cidadãos. Como artistas. Como o que quiserem ser.
Entender o Candombe é reconhecer esse direito. É experimentar a beleza do canto, da dança e, principalmente, da cor que existe em cada voz.
Entender o Candombe é entender a fé.

* Ensaio patrocinado e originalmente publicado pela The Raw Society Magazine, publicação internacional de fotografia e jornalismo.
** Idealização do projeto: Camilo Gan e seu Grupo Magia Negra,
*** Agradecimentos especiais ao “Cumpadre Carlos Santos, à Guarda de Congo Baldim e seus Capitães Benjamin e Luiz Cláudio e ao Quilombo do Açude sob a liderança de Kuta.


