
Mobilidade
NOVO CONCEITO DE MOBILIDADE Compartilhamento e aluguel de patinetes e bicicletas elétricas tornam-se nova tendência urbana.
NOVO CONCEITO DE MOBILIDADE Compartilhamento e aluguel de patinetes e bicicletas elétricas tornam-se nova tendência urbana. Mas alto número de acidentes exige regulamentação do serviço
De repente, a mobilidade das grandes cidades ganhou um aliado: os patinetes elétricos alugados via aplicativos de celular. Mais que um brinquedo infantil, o meio de transporte é rápido, ecológico, silencioso e não requer muito esforço, até mesmo em ruas acidentadas. É ideal para fazer trajetos curtos, que dispensam o automóvel mas são longos para ir a pé. Em compensação às vantagens, a segurança deixa a desejar, já que os usuários brigam por espaço nas ruas com pedestres, carros, ônibus, motos e bicicletas – muitas delas também acessadas via aplicativos de compartilhamento, tanto na versão tradicional quanto elétrica. Quem responde pela febre no Brasil são startups como Yellow e Grin, que se uniram e formaram a Grow,
Tembici e Ride. A Uber também planeja explorar o setor. Em Belo Horizonte, a Yellow estreou em janeiro deste ano, com bicicletas e patinetes elétricos alimentados por bateria. Foi seguida pela Grin dois meses depois. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Goiânia também aderiram à novidade. Para usar, o usuário precisa instalar o aplicativo da empresa, criar uma conta e utilizar o geolocalizador do celular para encontrar o veículo mais próximo. O custo inicial de cada corrida vai de R$ 1 a R$ 5, com adicionais entre R$ 0,20 e R$ 0,50 por minuto (valores variáveis conforme o veículo e a empresa acionada), pagos no cartão de crédito. É possível estacionar as e-bikes e os patinetes em qualquer ponto da cidade,
não em um local específico. Esse sistema é chamado de dockless: cada aparelho é monitorado por GPS e recolhido à noite pela empresa para manutenção e retorno às estações. A jornalista mineira Vanessa Pimenta experimentou a inovação primeiro em São Paulo e no Rio. Quando a Yellow chegou a Minas, Vanessa foi uma das primeiras a aderir à inovação e hoje usa o transporte compartilhado em uma frequência média de duas vezes por semana. “Costumo andar muito a pé na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Quando vejo em meu caminho uma bike ou um patinete, sempre costumo pegar para adiantar o trajeto, dando preferência às bicicletas. Os morros não ajudam muito, mas é ok onde costumo circular.” Ela só reclama do preço, especialmente dos patinetes.
SEGURANÇA E REGULAMENTAÇÃO
Para fins de segurança, apenas pessoas declaradas acima de 18 anos podem utilizar o serviço de compartilhamento de micromobilidade urbana, que nomeia a categoria de “veículos leves”. Além disso, as startups recomendam o uso de capacete, joelheiras e luvas e velocidades máximas de 6 km/h em calçadas e 20 km/h nas ruas e ciclovias. Mas nem tudo funciona às mil maravilhas, infelizmente. Há registros de vandalismo, além de acidentes de quedas e batidas, seguidos
por ocorrências de emergência nos hospitais, com relatos de fraturas, luxações e politraumatismos, até mesmo cranianos. Como as empresas seguem as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), é ideal que a prefeitura de cada município faça sua própria regulamentação desses novos meios de transporte, conforme a realidade apresentada. Belo Horizonte foi pioneira no país nessa movimentação. O projeto de Lei 575/2018, de autoria do vereador Gabriel Azevedo (PHS) − ele próprio um entusiasta do novo meio de locomoção −, foi aprovado em junho na Assembleia Legislativa, regularizando o serviço de compartilhamento de bicicletas e patinetes elétricos, estabelecendo sua expansão e definindo regras de ações educativas, que devem ser aplicadas pelas próprias empresas. O esperado, segundo consenso de especialistas, é que a prática seja liberada apenas em ciclovias e calçadas, o que estimularia ainda mais a implementação de faixas. Outra ideia é que o serviço seja restrito a usuários que tenham carteira de motorista e, portanto, conheçam bem os códigos de trânsito, diminuindo, assim, o risco de acidentes. Duas grandes metrópoles mundiais, porém, já restringem ou proíbem os patinetes elétricos via compartilhamento: Nova Iorque e Londres (no caso da segunda, são permitidos apenas em ciclovias, com multa para quem desobedecer). O que irá sobressair por aqui?


