Anuncie Buscar matérias Assinar newsletter
Fotografia da matéria: Lalibela

Lalibela

Lalibela passeia a Páscoa por suas noites em igrejas esculpidas na montanha de pedra.

Lalibela passeia a Páscoa por suas noites em igrejas esculpidas na montanha de pedra. Pela fé ortodoxa dos cristãos, entre túneis e labirintos, de igreja a igreja, sem bancos ou altares, apenas pelo que vale acreditar. Nasceu do sonho do homônimo rei etíope, no século XII, de construir uma Nova Jerusalém para os cristãos peregrinarem sem preocupação com a então ocupação árabe em Jerusalém. Para tanto, mandou construir 11 igrejas encravadas em pedras monolíticas, interligadas por túneis na rocha. Entre uma pedra e outra, foram cerca de 20 anos para o templo se tornar eterno. De cima para dentro, sob o olhar de cruzes ortodoxas, Lalibela se esculpe para baixo. Igrejas vestidas de pedra, erodidas por prece e devoção. Durante a Quaresma, Lalibela se consome em uma esperança vegana, que, ao chegar da Páscoa, se transforma na peregrinação às pedras, às águas da nossa pele. O branco dos panos substitui o verde, o amarelo e o vermelho da bandeira como a cor de um mundo em procissão. Missas, casamentos, cânticos, tudo é simultâneo nos labirintos de prece, até o momento final do incendiar das velas. Água e fogo. Branco e noite. Luz e canção. A fé grita. Às vezes, chora. O branco é o luto da paz que se foi. O canto é o que explode da dor. De repente, uma luz e um canto, não como tambores. De um recém-nascido que, como eu, nada sabe. O sacerdote se aproxima e lança suas águas. O bebê se cala. Um homem chora. Tudo se transforma em silêncio. Velas flutuam no tempo, estrelas cadentes desafiando o céu de todos nós. Luzes rabiscam os olhos. A paz invade os tambores. O bebê e o homem compreendem: é preciso nascer.

velas

Fotografia da matéria: Lalibela

beija a pedra como primeira oração toca os calos nos tapetes e se deita à sombra das virtudes e da comunhão

na penumbra do canto encontra o silêncio a palavra o perdão

Fotografia da matéria: Lalibela

paisagem não é de fácil tocar

carece o ermo. o silêncio

Fotografia da matéria: Lalibela

e saber encolher até se tornar parte

toco a fé que não me cabe nos olhos brancos dos véus

Fotografia da matéria: Lalibela

sinto o silêncio que não posso os sons que apedrejam

a esperança é verso cravado em pedras por lágrimas em oração

Fotografia da matéria: Lalibela

noite branca

sob tambores a noite é lenta os ritos, fortes

Fotografia da matéria: Lalibela

a música caminha entre labirintos e igrejas

fantasmas adormecem corpos compartilhando a solidão

Fotografia da matéria: Lalibela
Fotografia da matéria: Lalibela
Fotografia da matéria: Lalibela
Fotografia da matéria: Lalibela
Fotografia da matéria: Lalibela
Capa da edição 53 Publicada na edição 53Folheie a edição completa, do jeito que ela circula.
Continue lendo
Lexus leva o LY 680 para mares do mundo inteiro
Diverso Viaggio · Digital · 29 de setembro de 2026

Lexus leva o LY 680 para mares do mundo inteiro

O iate de 20,63 metros amplia flybridge e plataforma de banho e transforma o design L-finesse em uma experiência de viagem sobre a água.

Balcões, fogo e sabor: cinco refeições sem cerimônia em Tóquio
Diverso Viaggio · Digital · 29 de setembro de 2026

Balcões, fogo e sabor: cinco refeições sem cerimônia em Tóquio

Ramen em Ginza, miso picante em Kanda, hambúrguer japonês em Shibuya, monjayaki em Tsukishima e wagyu no pão em Daikanyama.

Capella Kyoto: o novo luxo de Gion entre design e alta gastronomia
Diverso Viaggio · Digital · 29 de setembro de 2026

Capella Kyoto: o novo luxo de Gion entre design e alta gastronomia

Enquanto a Diverso explora os hotspots de Kyoto, o hotel recém-aberto em Miyagawa-chō entra no radar com arquitetura de Kengo Kuma, suítes com onsen e a primeira experiência internacional do SingleThread.

Toda quinta-feira

O melhor do luxo, direto no seu e-mail.

Viagens, gastronomia, arquitetura e os lançamentos que importam — curadoria da redação da Diverso, sem ruído.