
Chris Pitanguy
Chris Pitanguy é daquelas mulheres que não passam despercebidas nas ruas.
Chris Pitanguy é daquelas mulheres que não passam despercebidas nas ruas. Dona de um estilo inigualável, além de ter um lifestyle de dar inveja a qualquer um, a jet-setter viaja constantemente, esbanjando charme. Pioneira nas semanas de moda das principais capitais do mundo, convidada recorrente de festivais importantes − como o de Cannes −, ela continua sendo uma das mais eficientes consultoras de marketing e moda mix para shopping centers. E não para por aí. Ela ainda é dona de uma linha de óculos e da label No Name Brazil, especializada em looks festivos prêt-à-porter, sofisticados e femininos. Amiga de designers e fotógrafos internacionais, está sempre em contato com etiquetas que desejam se estabelecer no Brasil. E, pra completar, antenada a tudo que acontece no mundo, ela agora está no ramo da tecnologia e acaba de lançar dois aplicativos que podem facilitar a vida de todos. Apesar de estar morando em São Paulo com seus dois filhos, Gabriel e Giulia, Chris nunca perdeu sua deliciosa e descontraída alma carioca. Simpatia em pessoa, não é por acaso que acumula quase meio milhão de seguidores no Instagram. Seu dia a dia é agitadíssimo, mas ela separou um tempinho para um delicioso bate-papo com a Diverso. Confira! Ah! O sobrenome dela lembrou alguém? Sim, o grande cirurgião plástico Ivo Pitanguy, de saudosa memória, era seu tio-avô.
Neste ano, sua empresa “Chris Pitanguy Fashion & Luxury Consulting” completa 24 anos. O que você avalia que foi um grande marco, algo que fez seus olhos brilharem e falar: “estou trabalhando com o que eu amo!”? Quando foi isso? Quando eu fui chamada para fazer a parte de direção de moda do Shopping Leblon, moda e mix. Isso foi em uma época quando todas as marcas internacionais estavam vindo para o Brasil, e eu gostava muito de fazer essa negociação, de trazer as marcas, escolher ponto para elas, de construir uma identidade pro shopping. Eu participei de todo esse processo desde 2006. O shopping abriu em 8 de dezembro de 2006 e eu comecei a trabalhar em julho, antes da inauguração, para planejar como seria a construção da identidade de moda. Era muito importante na época mostrar que ele era focado em moda, lançador de tendências, precursor em várias coisas, avant-garde… a gente queria fazer uma coisa bem diferente, e realmente a gente fez! Fizemos uma exposição que foi fenomenal sobre a Maria Antonieta; a gente criava muita coisa de moda e cultura juntas, lançamento de eventos com palestras, nós fomos um dos primeiros a trazer cultura para dentro do shopping, porque antigamente as pessoas viviam de desfiles; nós começamos a unir essa coisa de cultura com moda. Foi muito bacana ser responsável por fazer contato com essas marcas, viajar, trazer pra cá… quanto à parte de DNA do shopping.

Outra consultoria de que me orgulho muito foi pra NK Store, da Natalie Klein, pra abrir a loja do Rio. Foi um trabalho muito legal e foi ótimo trabalhar com a Natalie, uma pessoa maravilhosa e superprofissional. Hoje, seu nome é sinônimo de luxo e bom gosto. Como você se reconheceu nesse mercado? Quando o luxo se tornou seu foco? Eu acho que quando as marcas internacionais começaram a vir pra cá a gente não tinha essa cultura de luxo no Brasil. Como eu já viajava muito, e já tinha muita cultura fora do Brasil desse mercado, comecei a trabalhar com isso; comecei a dar essa consultoria porque as pessoas não entendiam o que era na época. Uns 15 anos atrás as pessoas não sabiam muito o que era o mercado de luxo, o que era marca internacional. A explosão desse mercado se deu nos últimos 20 anos, tanto no Japão, quanto na Rússia e na China. Eu trouxe essa expertise que eu tinha… algo familiar, talvez, acho que de viajar muito, por ter essa cultura, por viver isso. Como você desenvolve essas consultorias? Depende muito do cliente. No Shopping Leblon, estou há quase 15 anos dando consultoria. É muito customizado para cada cliente… suas necessidades. No início, eu ficava muito tempo no shopping, ia todo dia; hoje, eu não preciso ir todo dia, já vou uma vez por mês e é o suficiente. É um processo, cada cliente é um cliente, hoje em dia há facilidades, a gente faz reunião por telefone; mesmo antes do coronavírus, eu fazia muitas meeting via vídeo, eu já tinha essa cultura dentro de mim. O que você acha mais difícil nessa sua profissão? Ter que se vestir todo dia, estar arrumada sempre, isso é o mais difícil. Ter que estar sempre elegante… Eu sou muito natural, eu sou carioca! Então, eu gosto de andar de chinelo, um vestidão meio hippie, sempre gostei. Minha vida sempre foi assim, muito relax. Mas, por exemplo, uma semana muito ocupada, em que você tem que se vestir o tempo todo e estar sempre arrumada, para mim é difícil; a roupa me incomoda, o salto me incomoda, sabe?! Eu gosto de andar com coisas confortáveis. E o que a enche de orgulho nessa profissão, que você considera mais recompensador? Acho que para mim é o reconhecimento internacional, né?! E como é sua relação com a fama? Você já tem quase 500 mil seguidores no Instagram. Quando você se viu se tornando uma digital influencer? Quando eu entrei pro Shopping Leblon, a gente criou um blog pra falar sobre as tendências do shopping. Como eu tinha muita informação de backstage, que ninguém tinha, porque eu estava vivendo por trás desse mundo de luxo, dessa expansão do mercado, não só brasileiro, mas internacional, aí eu resolvi abrir um site pra mim.
Como surgiu a ideia desse site? Foi o seguinte: minha filha ficou doente, com uma pneumonia fortíssima, e ela tinha apenas dois anos de idade. Aí eu não podia sair do hospital porque ficava 24 horas cuidando dela. E eu sou uma pessoa muito produtiva, não consigo ficar com a vida parada; aí eu estava no hospital muito triste, muito angustiada e nervosa, e falei: “Vou começar a escrever!”. Criei um blogzinho daqueles bem simples e comecei a escrever. Eu estava colocando pra fora uma ansiedade minha, e o site fez o maior sucesso! Daí veio o Instagram; eu já ia para Paris para pesquisar moda muito antes dessa coisa de Instagram, de blog etc.… eu comecei a mostrar isso que ninguém mostrava, e começou a fazer sucesso também. Comecei a ir para os festivais internacionais, de cinema, e foi indo… Então foi algo bem natural? Sim! Eu não criei, não pensei muito para fazer isso tudo, sabe?! Foi natural, as coisas foram acontecendo. Óbvio que teve uma luta por trás disso, vamos dizer, um foco, uma dedicação, mas as coisas foram acontecendo do jeito que tinham de ser. E quanto a esses eventos megabadalados, desfiles, festivais de cinema… teve algum que a marcou muito? Como é a sensação de ter participado de tantos eventos superexclusivos? Eu sou tão sortuda, sabe?! Tenho tanta gratidão por tudo que eu pude ver na minha vida e o que eu ainda vou ver. Gratidão porque pouquíssimas pessoas no mundo têm a oportunidade de participar desses eventos e ser convidada; porque a pessoa tem que ter credibilidade para isso. Mas, olha, se for pensar, eu ligo zero pra isso. Porque no meu dia a dia eu sou simples, estou aqui conversando de chinelo… bem relax, sabe?! Mas você poder participar e poder ver é muito legal. Eu me lembro de uma vez, na semana de alta-costura, fui convidada para uma festa da Vogue alemã. Era uma coisa superpequena, para uns 40 convidados só, e, de repente, pela primeira vez, eu vi o Karl Lagerfeld junto com o Azzedine Alaia e a Anna Wintour, estavam os três juntos! Eu olhei pra eles e pensei: “Caramba! Estou num jantar de quarenta pessoas com os maiores nomes da moda do mundo!”. Sou muito grata. Seu estilo, você já deixou claro que é bem relax. Mas você tem algum truque de beleza, algo para estar sempre pronta e elegante? Colocar um jeans, uma camiseta, uma jaqueta e uma bota. Quando eu estou com preguiça de me vestir e não quero perder muito tempo, vai essa combinação e fica sempre chique. Você foi eleita pela revista francesa L’Officiel uma das trinta melhores influencers do mundo da moda. Como você recebeu essa notícia? Esperava por isso? Não esperava nunca. Uma semana antes, eles me levaram pra Londres pra fotografar lá; cada influenciadora usava uma marca internacional, e a Prada escolheu me vestir. Aí eu fui para Londres, e era na época do desfile da Victoria’s Secret, e eu acabei indo a esse desfile e depois à festa também. Fui fotografar pra eles nas ruas de Londres e estava um gelo, -3 graus, e eu quase morrendo de frio! E agora, falando um pouquinho da sua vida pessoal, como foi essa mudança do Rio de Janeiro para São Paulo? Eu era casada, me separei seis meses depois que cheguei a São Paulo. Mas foi por causa do meu ex-marido, que vinha trabalhar em São Paulo, que acabei me mudando com as crianças; a gente se separou, mas eu acabei ficando. Eu consigo me adaptar em qualquer lugar. Hoje eu não quero voltar para o Rio, mas eu quero o Rio na minha vida, sabe?! Porque eu sou carioca, minha alma é carioca, muito mais do que paulista ou qualquer outra coisa. Como é a relação com seus filhos em meio a tantos trabalhos, viagens, eventos…? Eu tenho dois filhos − a Giulia, que está com 14, e o Gabriel, com 17. Eles são muito companheiros e me dão a maior força. E eu acabo proporcionando muita coisa pra eles também. Por exemplo, com oito anos de idade, a Giulia foi ao primeiro desfile de alta-costura dela. Eu não quero virar a cabeça dela, não entenda isso, mas a gente acaba conhecendo muita gente. Já o meu filho, com 17 anos é DJ profissional! Então, ele acaba conhecendo os melhores DJs do mundo; eu tenho a oportunidade de apresentar pra ele as pessoas que ele sonha conhecer. Eu sou muito caseira. Se estou em São Paulo, adoro ficar em casa com eles, sou muito família, adoro receber em casa… então, mesmo trabalhando muito, dou muita atenção a eles. E eles são muito bem-resolvidos quanto a isso. E quais são os seus planos para o futuro, Chris? Pra depois da Covid? Depois que veio a Covid, eu lancei dois apps − um de vídeo call, junto com um sócia, e outro de resumo de livros. Estou me dedicando a esses dois projetos, estamos fazendo algumas parcerias, buscando investimentos pra poder fazer a coisa ficar maior. Mas eu continuo na moda, adoro a moda, só que neste momento a moda está parada, a gente não pode viajar. Então, a gente acaba precisando arrumar outras formas de trabalho e se reinventar. Como eu gosto muito de tecnologia, resolvi criar esses dois aplicativos e tenho me dedicado muito a eles; é outro mundo. Continuo com alguns trabalhos na moda, como influenciadora também, mas estou adorando ver esse outro lado da tecnologia, e acredito que pós-Covid vai estar muito mais em voga. Além de tudo isso, você também criou o projeto #euajudo, que auxilia causas sociais. Conta pra gente como foi essa ação. O Instituto do Câncer no Rio de Janeiro (INCA) é a maior referência de hospital do Câncer do Brasil, e recebe pessoas do Brasil e do mundo para fazer tratamento. Eu conhecia muito a diretora da pediatria e ela sempre falava pra mim: “Chris, a gente tá precisando muito de ajuda, a pediatria tá muito ruim, sem os aparelhos, as camas quebram, tá cheio de infiltração…”. Aí, eu falei com ela: “Vamos arrecadar dinheiro pra refazer toda a pediatria!”. Assim, consegui arrecadar uma quantia muito grande e conseguimos refazer a pediatria do hospital. Eu me dediquei durante três anos a esse projeto, foi muito gratificante. Agora, estou sempre ajudando o projeto de alguém, fazendo algum tipo de ação

bate bola
Um lugar Rio de Janeiro Um prato Arroz, feijão e farofa Uma bebida Coca-Cola ou saquê Uma marca Depende da coleção Um perfume Fracas by Robert Piguet Um acessório Uma boa bijuteria Uma cor Preto e branco, juntos Uma mania Tomar Coca-Cola no café da manhã Sonho de consumo Poder passar de maio a outubro viajando pela Europa
Viagem inesquecível Todas de Fashion Week e de Festival de Cannes, de cada uma eu tenho uma lembrança maravilhosa Não vive sem… Os meus filhos Sua melhor qualidade Eu acho que é meu bom humor Defeito Ansiedade O que mais admira nos outros? Honestidade O que mais abomina nos outros? Falsidade Felicidade é… Uma vida em família, plena Lema de vida Ser feliz e consciente, mesmo nos momentos mais difíceis.


