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Fotografia da matéria: Carol Celico

Carol Celico

Dedicada a várias atividades como profissional e como “mãe de dois”, a multiempreendedora Carol Celico abre sua casa e sua vida para mostrar que ainda tem muito a conquistar

CAPA

Múltiplos Talentos

Dedicada a várias atividades como profissional e como “mãe de dois”, a multiempreendedora Carol Celico abre sua casa e sua vida para mostrar que ainda tem muito a conquistar

Carol usa ANNE FERNANDES Anel LOXUS

Carol usa ANNE FERNANDES Anéis LOXUS

uem vê Caroline Celico tão desenvolta nos vídeos que posta em seu Instagram - @cacelico - nem imagina que ela teve que deixar de lado sua timidez para se tornar um ícone da internet. Hoje, ela é acompanhada de perto por mais de 890 mil pessoas, com as

quais compartilha sua rotina e abre as portas de sua casa com muita empatia e dicas sobre organização, beleza, moda e gastronomia. Formada em Fashion Business em Milão e em Chef de Cozinha na Le Cordon Bleu, em Madri, uma das mais cobiçadas escolas de gastronomia do mundo, Ca Celico – como é conhecida nas redes sociais – se diz centralizadora no trabalho e gosta de estar em movimento, atuando em várias frentes. Habilidades que desenvolveu desde cedo. Aos 18 anos, casou-se com o astro do futebol brasileiro Kaká e com ele teve dois filhos: Luca, quando ainda tinha 21 anos, e Isabella, com 24 anos. Morando no exterior, dividia seu tempo entre os filhos e os estudos. Com o fim da relação, há cinco anos, Caroline voltou a morar no Brasil e por aqui atua na assessoria e cenografia de eventos pela sua empresa, Party Design, com a parceira e amiga Chris Ayrosa. Além disso, dedica suas energias à filantropia. É presidente e fundadora da FAH − Fundação Amor Horizontal, aberta em 2014 e que ajuda mais de 12 mil crianças em São Paulo. Linda, inteligente, mãe dedicada, Caroline acumula muitos predicados e se diz mais madura e menos ansiosa hoje, aos 32 anos, além de mostrar a serenidade de quem sabe que ainda tem muita vida pela frente e certamente muitas conquistas para celebrar.

Carol, no seu Instagram você se descreve como “mãe de dois”. Gostaria, então, de começar perguntando sobre sua experiência com a maternidade. Você foi mãe muito jovem. Como é sua relação com seus filhos hoje?

Fui mãe aos 21 e aos 24 anos − do Luca, que hoje tem 11, e da Isabella, que tem 8. Minha relação com eles sempre foi muito próxima. Como morava fora, sem a família perto, e meu ex-marido viajava muito a trabalho, ficávamos cada vez mais grudados. Foi até um

grande passo quando, na separação, tivemos que nos adaptar durante o primeiro ano a essa mudança, de que eu não estaria presente em alguns momentos da vida deles. Hoje, passados cinco anos, estamos totalmente readaptados, com um novo modelo familiar, cheio de harmonia entre os princípios e a maneira de educar as crianças. Ser mãe de um menino antes de uma menina era tudo que eu queria. Sempre imaginei minha família assim, com o irmão mais velho, pronto para defender a irmãzinha, e a menina vindo depois, coroando a família. Pedi muito por isso, e veio exatamente assim. A diferença de quase três anos que os dois têm também é maravilhosa, divinamente perfeita. Consegui colocar o Luca adaptado em uma escolinha, enquanto eu ficava em casa amamentando a Bella. Quando ele voltava, eu estava livre para ficar com ele. Até hoje, a dinâmica se mantém assim. Levo os dois à escola juntos, busco cada dia um e em alguns dias (por causa das atividades em diferentes horários) os dois juntos também. Isso me dá a oportunidade de curtir separadamente cada um, e eles saberem que têm um espaço para que estejam sozinhos comigo. Ao mesmo tempo, jogamos em família todos juntos, o que gera oportunidades de mais “brigas” entre eles. Digamos que estamos nessa fase.

Como é a relação deles com o pai e como você transmite para os seus filhos esse novo formato familiar, com os pais namorando outras pessoas, o que é realidade para muitas crianças hoje em dia?

Depois da separação, consequentemente depois que o meu ex-marido também deixou a profissão − que demandava muita carga horária e longas viagens longe da família −, o relacionamento se tornou muito mais próximo, mais íntimo e cheio de descobertas. Uma das coisas mais importantes é o diálogo. Sempre alinhamos algumas regras básicas, tanto de horários, como alimentação, saúde, educação e princípios. Essa parte nunca foi um problema. Mesmo que seja normal em uma relação matrimonial a discordância na educação dos filhos, em vários momentos, ao longo da vida da criança, ela se mantém na separação. Mas, dependendo da relação dos pais, às vezes vejo que fica ainda mais fácil entrarmos em um acordo, depois de cinco anos separados, pois aprendemos a comunicação em busca de

Carol usa MARES Brinco acervo

acordos amigáveis. Buscamos o benefício para filhos. Inclusive, acho que essa é a chave do respeito familiar, não importa o formato: entender que cada um só quer o melhor para o filho, à sua maneira. A dica é se colocar no lugar do outro, por mais difícil que pareça. Isso vai te ajudar a conversar melhor com ele.

Você sempre fala da família nas postagens. Como é sua relação com seus pais? Você é daquele tipo de pessoa que adora receber e reunir a família e os amigos?

Meus pais se separaram quando eu tinha seis anos. Na época, e até outro dia, eu achava que tinha sido “tudo ótimo”, escondia de mim mesma que na verdade não estava tudo ótimo e que, em algum ponto, eu sofri sem me deixar sofrer. Meus pais sempre falaram que eram melhores amigos, e que não se amavam mais. Mas, na verdade, nunca foram melhores amigos. Se davam bem, conviviam, se cumprimentavam, mas não eram na realidade melhores amigos, mesmo. Lidar com o sofrimento oprimido foi um grande aprendizado para mim durante os anos − me fez ganhar muita força em vários sentidos. Mas, ao mesmo tempo, no dia em que vi que nunca chorei pela separação deles, e que nunca me deixei sentir, foi um alívio. Uma explosão de sentimentos e de cura emocional em vários sentidos, que me deixaram enxergar a vida e o mundo de forma mais clara e mais simples. Cresci! Quando vi meus filhos chorando pela minha separação, eu os abracei, permiti o choro, acolhi, e disse que sim, que era normal sofrer e chorar. Espero que, por isso, eles não vivam no futuro essa explosão toda de sentimentos oprimidos.

Você se casou com uma celebridade do esporte e teve seus filhos ainda muito jovem. Tudo isso vivendo fora do país. De que maneira essa fase a transformou?

Foram quase 10 anos de muito aprendizado. Começando pelas línguas. Aprendi italiano e espanhol, porque morei em Milão e Madri. Aprendi a detectar as pessoas aproveitadoras e interesseiras, que se aproximam lentamente com a “melhor das intenções”. Aprendi a criar meus filhos sem as dicas no Instagram ou em grupos de WhatsApp, sem a família perto para deixar as crianças enquanto eu viajasse com meu marido. Aprendi a dar valor ao dinheiro, via o quão sofrido era ter um marido que tinha que trabalhar treinando horas por dia e viajar muito em prol do bem da família. Sofri por estar longe das minhas amigas de infância. Fiz novas amizades, que carrego até hoje. Me aproximei da religião, como nunca, me apeguei à religião, mais que a Deus. Depois, quebrei o coração, e me apeguei apenas a Deus, sem doutrinas religiosas. Foi um vai e vem de emoções e de grandes aprendizados que levo até hoje, no meu dia a dia, e nos pequenos e grandes momentos da minha vida.

Como você é no dia a dia? Gosta de organização, horários e rotinas?

Eu amo rotina e organização, dá para ver pelos vídeos do meu IGTV, sempre solto uma dica do assunto (risos). Eu não tenho uma rotina exatamente engessada, a não ser que levo e busco meus

Carol usa ST. MORITZ Anel LOXUS

Fotografia da matéria: Carol Celico
Edição 39 · Revista Diverso

filhos na escola. Trabalho de casa; vou a reuniões externas sobre a Fundação; faço fotos muitas vezes dentro da minha casa mesmo; cuido da minha saúde e da dos meus filhos; acompanho os trabalhos da escola, as reuniões escolares, apresentações de atividades…; pago as contas da minha casa, organizo os deveres das ajudadoras da minha casa; crio novos projetos, novas collabs com marcas… invento e reinvento; faço a organização de eventos, como casamentos e festas; passo tudo da minha empresa para a minha contabilidade. Não tenho secretária, nunca deu certo. Sou bem centralizadora. Mas amo fugir da rotina, que é o que mais amo planejar: viagens!

Você teve uma formação multidisciplinar − estudou moda e gastronomia. É seu perfil atuar em várias frentes ao mesmo tempo?

Sim. Acho que não conseguiria fazer e falar do mesmo assunto todos os dias. Minha cabeça é muito dinâmica e criativa. Amo desenvolver novas ideias, desde o logotipo até o conceito, o planejamento etc.… Não gosto de delegar, de cobrar as tarefas. Deixo isso para quem sabe.

Sua atuação no Instagram é superdinâmica, abordando diversos assuntos, com vídeos muito bem produzidos. Quando você percebeu que a internet era um caminho profissional?

Sempre fui muito cobrada, desde a época de Twitter, blogs, depois YouTube e Instagram. As pessoas me pediam para eu escrever mais meus textos inspiradores. Pediam as receitas… as dicas de moda e beleza… pediam ajuda para as viagens… ajuda com a rotina da casa, desde a limpeza até como receber. Tudo pode ser centralizado

em um único lugar: a internet. Por isso, abri mão do meu lado tímido (mesmo que não pareça, existe, e é bem acentuado, rs) para mostrar o meu rosto, soltar a minha voz, abrir a minha casa e o meu coração e mostrar quem eu realmente sou: uma mulher como outra qualquer, que passa todos os “perrengues” que todas passaram, passam ou irão passar, neste mundo rápido, de dinâmicas cada vez mais diferentes, tentando permanecer fiéis à sua essência e aos seus valores.

Como é saber que você e sua vida inspiram muitas pessoas?

Primeiro, uma responsabilidade enorme. Que muitas vezes duvidei se ia querer para mim. Segundo, uma alegria abundante, uma oportunidade única de ver a inspiração que eu recebo diariamente, chegando a lugares aonde eu nunca chegaria, através daqueles ou daquelas que a usaram no seu dia a dia, na sua família ou no seu trabalho.

Além da internet, você também atua na assessoria de eventos com a Chris Ayrosa. O que mais a encanta nesse trabalho?

Eu amo receber, ver as pessoas felizes, comendo, bebendo, conversando. Fazer social faz bem para a saúde, para a alma, e possibilita novas oportunidades profissionais. Eu amo! Além disso, me dou muito bem organizando a dinâmica de tudo, o timing desde o planejamento, o contato com a noiva e a família dela. Assim como fornecer um ambiente 360 graus, onde o cliente e os convidados tenham a sensação de êxtase quando chegam ao evento. É divino, é harmônico, é essencial!

Carol usa ST. MORITZ Anéis LOXUS

Carol usa BARBARA BELA Brinco e anel LOXUS

IVERSOCAPA

Carol usa ST. MORITZ

Projeto o futuro assim: olhando para os meus filhos, saudáveis em seu corpo, sua mente e seu espírito, e me sentindo grata pela oportunidade, a cada dia, de errar e acertar

Como você se vê hoje e o que projeta para o seu futuro?

Me vejo muito mais madura, mais calma, menos ansiosa. Com muito espaço para crescimento e para mais aprendizados… vislumbrando oportunidades novas de novos projetos com novas sensações. Projeto o futuro assim: olhando para os meus filhos, saudáveis em seu corpo, sua mente e seu espírito, e me sentindo grata pela oportunidade, a cada dia, de errar e acertar.

Você também tem uma forte atuação na filantropia. Gostaria que nos contasse um pouco sobre a Fundação Amor Horizontal.

A FAH (Fundação Amor Horizontal) surgiu depois que vi que a maneira que eu doava poderia se estender a mais pessoas. Em 2001, comecei a comprar em uma empresa de delivery de produtos alimentícios, e mandava

entregar no endereço de uma instituição que eu conhecia, que fazia marmita para moradores de rua. Por isso, criei o primeiro e-donation (em vez de e-commerce). O sistema conecta pessoas que querem doar, e não sabem como, com 56 instituições sem fins lucrativos idôneas − que atendem a mais de 12.500 crianças em situação de vulnerabilidade social (de bebês até adolescentes) − e a fornecedores de produtos de quem compramos, a preço de custo, material de saúde, educação e higiene. Hoje, você pode apadrinhar uma criança a partir de R$ 10 e contribuir para que ela tenha um futuro melhor. A missão é mudar a cultura de doação do brasileiro, que é solidário em momentos emergenciais, mas não tem o hábito de doar. Também fazemos workshops com o administrativo das instituições que apoiamos para dar o suporte, em todas as áreas, de que todas as empresas precisam.

DoarFazBemAoCoração www.amorhorizontal.org

Fotografia da matéria: Carol Celico
Edição 39 · Revista Diverso

Carol usa MIXED Joias LOXUS

bate bola

Uma bebida Vinho

Receber em casa ou sair? Depende do dia...

Um perfume Segredo (é a única coisa que não conto!)

Um lugar para passar o resto da vida São Paulo, com meus filhos.

Uma paixão Organizar.

Um gosto peculiar Mortadela com geleia de damasco no pão francês.

Um sonho não realizado Conhecer todos os países da minha bucket list.

Ansiosa ou paciente? Ansiosa aprendendo a ter paciência.

Casa ou apartamento? Apartamento, pela segurança; casa, pelo espaço aberto.

Uma qualidade Rápida, dinâmica.

Um defeito Indecisa (para algumas coisas)

O que você não tolera no outro? Preguiça

Como a maternidade mudou sua vida? Entendi melhor as mães, começando pela minha.

Uma inspiração profissional Melinda Gates

Melhor gastronomia mundial Francesa, ops, italiana!

Verão ou inverno? Inverno, na estação de esqui e em cidades grandes.

Ser feliz para você é… Viver o agora, o hoje!

Defina-se em uma palavra Deixo esse desafio para vocês.

Carol usa BARBARA BELA Brinco LOXUS

Capa da edição 39 Publicada na edição 39Folheie a edição completa, do jeito que ela circula.
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