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Fotografia da matéria: Barbara Fialho

Barbara Fialho

Modelo e cantora, a mineira Barbara Fialho mostra que tem talento de sobra e, depois de uma sólida e meteórica carreira na moda internacional, a Angel da Victoria’s Secret deseja voar também na música

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Modelo e cantora, a mineira Barbara Fialho mostra que tem talento de sobra e, depois de uma sólida e meteórica carreira na moda internacional, a Angel da Victoria’s Secret deseja voar também na música

FOTO Henrique Gualtieri TEXTO Juliana Fernandes DIREÇÃO DE ARTE Leo Gomes CONCEPÇÃO Bruno Marinho ASSIST. FOTO Augusto Lacerda BELEZA Rodrigo Caetano STYLING Inês Yamaguchi PRODUÇÃO DE MODA Rafaela Corrêa

CAPA

á 18 anos, uma jovem de beleza singular saiu de Montes Claros, na região Norte de Minas Gerais para ganhar o mundo da moda. Barbara Fialho, com 15 anos na época, nem imaginava a dimensão que sua carreira alcançaria mundo afora. Nesses anos de estrada, teve a oportunidade de morar em diversos países, como França, Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul, e desfilou para grandes e badaladas grifes mundiais. Durante sete anos, foi Angel da Victoria’s Secret, marca que a lançou definitivamente para o mercado de modelos comerciais. Hoje, aos 32 anos, madura, Barbara divide seu tempo com outras paixões. A música e a sua filha Maria, fruto do casamento com o músico Rohan Marley (filho do cantor Bob Marley), cuja união foi celebrada em sua cidade natal, em 2019. O lado musical da modelo vem de berço. Neta de músico, ela conta que cresceu ouvindo o avô e outras referências da família, mas que só em 2006 percebeu que gostaria de fazer isso profissionalmente. Para ela, o melhor dos mundos é quando consegue realizar uma fusão da moda com a música, algo que já experimentou quando cantou no desfile da estilista Fabiana Milazzo, em 2019, no São Paulo Fashion Week. Nesta entrevista que concedeu à Revista Diverso, a modelo e cantora falou das experiências com a maternidade, das restrições da pandemia e dos projetos musicais que deve lançar em breve. Tudo isso com um toque de gentileza, simplicidade e

simpatia admiráveis, nota daquelas mulheres que são felizes por completo. Confira!

Barbara, é um prazer conversar contigo! Difícil não começar esta entrevista perguntando sobre esse momento de restrições que persiste no mundo todo. Como tem sido o período de isolamento para você? Como aproveitou o tempo e o que poderia dizer que aprendeu com essa experiência?

Esse último ano foi muito desafiador para todos nós. Mas, poder ter mais tempo com a Maria foi muito especial. Eu presenciei cada nova mudança. Todo dia é uma surpresa com ela. Sem essa pausa que a pandemia causou, eu provavelmente estaria correndo muito para me preparar para o Show dos Famosos, quadro do Domingão do Faustão, que foi cancelado também por causa da quarentena. A Maria é meu maior presente. Estar com ela faz tudo melhor e mais gostoso. Eu me sinto uma pessoa mais leve depois disso tudo. Aprendi a viver com menos, viajando e trabalhando menos. Tive mais tempo para ler, descansar e compor. Não foi fácil para ninguém, mas busco o lado positivo. Por exemplo, eu tive Covid-19 e perdi meu olfato. Já foram três meses e não voltou − como a Maria é pequenininha e eu troco muitas fraldas, tem também o lado bom disso (rs). É hora de agradecer à vida e desfrutar os verdadeiros valores. Família em primeiro lugar!

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Você saiu nova do interior de Minas e ganhou as principais passarelas e grifes mundiais. Quando começou, tinha ideia de que sua carreira tomaria essa dimensão que tomou?

Eu sou apaixonada por minha cidade, Montes Claros, que fica no Norte de Minas. Nunca imaginei que chegaria aonde cheguei. Eu trabalhei, um dia de cada vez, desde muito nova. Tive exemplos em casa de pessoas que trabalhavam muito, como meus avós e meus pais. Então, quando eu tive uma oportunidade de trabalho, encarei dessa mesma forma. As pessoas às vezes me perguntam qual é o segredo da carreira de modelo. Acredito que é exatamente isso − não desistir, ter persistência, porque são altos e baixos. A cada seis meses, tem uma temporada nova, tudo muda, e não desistir é o maior segredo, assim como manter bons relacionamentos. Então, eu acho que estou onde estou por isso. Jamais imaginava, mas foi resultado de muito trabalho e de conseguir desenvolver relacionamentos tão bons como o da Victoria’s Secret, que durou nove anos. E vários outros.

Depois de 18 anos de carreira, o que mais a marcou em toda essa estrada?

Acho que o mais me marcou foram os países em que vivi. Eu morei na França quando comecei a carreira. Depois, fui para os Estados Unidos, o Japão, a Espanha e a Coreia do Sul. Aí voltei para os Estados Unidos, onde fiquei em Nova Iorque, e passei também um tempo em Los Angeles. Nesse meio tempo, sempre voltando muito para o Brasil a trabalho. Então, o que mais me marcou também foi essa

oportunidade de trabalhar com tanta gente diferente… de tantas culturas diferentes. Outro marco foi a experiência com a Victoria’s Secret, em que tive a possibilidade de ser modelo de prova e vivenciar sete desfiles, desde o primeiro desenho, trabalho que começa geralmente em março. A gente trabalha o ano inteiro na coleção e na mescla das peças de lingerie com os designers e os trabalhos tão bonitos de cada artesão. Isso me ensinou muita coisa que hoje eu aplico não só nos meus projetos de moda, mas nos de música também.

Ao se tornar Angel da Victoria’s Secret, você personificou o sonho de muitas meninas. Como foi essa experiência para você?

Eu gosto de dizer que foi uma experiência muito especial porque eu entrei pela porta dos fundos, eu diria. Eu já era modelo há oitos anos e tinha me mudado recentemente de Paris para Nova Iorque, tentando fazer uma transição na minha carreira que, na época, era de High Fashion. Eu era uma modelo de passarela e de editorial, mas queria fazer trabalhos com lingerie, produtos de beleza, enfim… queria ser uma modelo mais comercial e era muito difícil fazer essa transição. Então, tive a oportunidade de trabalhar com uma grande amiga do diretor de casting da Victoria’s Secret. A gente se deu superbem e ela me indicou para fazer as provas de roupas. Eu fiz e trabalhei com eles durante sete anos.

Em 2019, você se casou e teve sua primeira filha. E o casamento foi em Montes Claros, sua terra natal. Gostaria que dividisse conosco um pouco desses momentos de tantas mudanças. Casar na sua cidade era um sonho?

Desde que eu e o Rohan nos conhecemos, ele me pedia um filho. Ele dizia no início que seria um menino e que se chamaria Zé. Mas o Zé veio Maria (risos) e ele ainda brinca que quer ter mais um filho e que ele nasça no Brasil dessa vez. Minha relação com ele é muito boa. Nós nos tornamos grandes amigos. Na quarentena, a gente passou muito tempo separados e distantes, mas eu acho que fortaleceu nossos laços de amizade e de respeito, principalmente para a Maria. E me casar foi um grande sonho, foi um grande dia na minha vida e um dos mais felizes também! Minha filhinha já estava ali comigo, na minha barriga, e foi muito lindo e especial.

Como foi receber sua filha e poder participar tão intensamente do primeiro ano dela? Você é tipo mãe-coruja, que gosta de cuidar de tudo e escolher todos os detalhes? Teve ajuda no início?

Pra mim, foi excelente, foi o melhor presente diante de tanta coisa triste que a gente viveu na pandemia e está vivendo ainda. Poder ter a oportunidade de estar com ela todos os dias, trocando a fralda, olhando o dentinho e cuidando de tudo que estava acontecendo… nos deu uma relação muito mais próxima. E agora que voltei a trabalhar vejo ela mais segura de si, mais independente e acho que foi porque a gente teve esses momentos juntas. Eu senti que ela andou muito mais rápido, está falando muito mais rápido. Acredito que tudo isso foi consequência de ter esse “luxo” de estar com ela. Porque, para nós que somos mães, mulheres e que trabalhamos, é um luxo estar com nossos filhos. Ficar com a Maria foi um lado positivo dessa fase tão triste do mundo.

Em 2019, você veio ao Brasil dois meses depois de dar à luz, já com o corpo em forma. Teve que deixar a Maria para cumprir os compromissos de trabalho e ainda pôde trazer sua paixão pela música ao desfile da estilista Fabiana Milazzo. Uau, quanta emoção! Consegue descrever e nos contar como foram esses momentos?

O desfile da Fabiana Milazzo foi um presente na minha vida. Eu estava em casa e a Maria tinha apenas dois meses. E eu estava com muita vontade de trabalhar. Já estava ansiosa para ter um desafio, alguma oportunidade de mostrar que estava bem. Que a Maria só me trouxe coisas maravilhosas. Que gravidez não é uma doença e que é normal a gente ter neném e voltar a trabalhar. E eu estava me cuidando muito. Mais uma vez, a moda me deu a oportunidade de trazer a música e a gente poder unir forças.

Sobre a maternidade e o sentimento de culpa que você disse ter conhecido com a experiência de deixar sua filha para atender aos compromissos de trabalho, como está hoje essa relação com a Maria?

Fotografia da matéria: Barbara Fialho
Edição 42 · Revista Diverso

Eu trabalho muito esse sentimento de culpa porque eu sempre tive pessoas que trabalhavam muito perto de mim. Meu pai e minha mãe trabalhavam muito e eu, na verdade, me inspirei nisso. Não me fez mal. Claro que eu tinha meus avós para cuidarem de mim, então hoje eu fiz a mesma coisa. Trouxe meus pais para morarem comigo para que a Maria tivesse uma estrutura bem forte. Quando eu não estou

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... o que mais me marcou também foi essa oportunidade de trabalhar com tanta gente diferente… de tantas culturas diferentes...

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... sempre fui obcecada por música, desde pequena. Muito mesmo. Sempre tive um walkman e sempre o carregava junto com as fitas k7. Sempre amei música...

trabalhando, estou com ela, e quando eu estou trabalhando eles estão aqui com ela. Pra ela ter esse equilíbrio. Mas eu acredito que se ela me vir sempre trabalhando e feliz e também, claro, tendo tempo pra ela, o que é fundamental, acho que vai trazer só coisas boas pra ela. Contudo, é claro, a mãe tem que administrar a culpa mais que o bebê. A Maria está maravilhosa, todo mundo mimando-a. É a culpa que precisa de cuidado. A gente precisa prestar muita atenção nisso.

Bom, vamos falar de música. Conte para nós quando percebeu a paixão pela música.

Sempre fui obcecada por música, desde pequena. Muito mesmo. Sempre tive um walkman e sempre o carregava junto com as fitas k7. Sempre amei música. Mas acho que teve um dia em que eu estava no trabalho e vi essa paixão com outros olhos. Uma vez, estávamos em um trabalho e houve algumas dificuldades na produtora que fizeram com que todos ficassem meio mal. E eu, feliz, amando toda aquela oportunidade de estar em Saint Tropez. Não acreditando que havia saído de Montes Claros e chegado até ali. Pensava: “Não

é possível, eu preciso fazer alguma coisa!”. Eu achei um violão e comecei a tocar umas músicas, do Kid Abelha, da Marisa Monte… músicas que todo mundo sabe cantar. Pra minha surpresa, a energia girou e de repente estava todo mundo mais leve. Nesse momento, eu falei: “Nossa, que legal isso!” Então eu senti que essa energia da música podia tocar o outro de uma forma diferente. Ali eu pensei: “Acho que eu quero fazer isso!”. Esse fato tem alguns anos, acho que foi em 2006. Desde então, eu comecei a pensar na música de forma diferente. Ali eu acho que a abelhinha me picou. E gostei!

Você já disse em alguns momentos que deseja focar na carreira musical. Sua ideia é trabalhar as duas carreiras ou pretende fazer uma transição profissional?

Eu sempre sonhei com uma fusão. Dentro das possibilidades que eu tenho, já faço isso. Uma mistura de moda e música. Gostaria de ser modelo para sempre! Mas sei que um dia o telefone vai parar de tocar, porque é a natureza do que eu faço. O jovem e o novo são necessários. Então, meu sonho é poder continuar me expressando e trazendo outras camadas de arte.

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... minhas maiores referências são as mulheres da música brasileira, como Maria Bethânia, Gal Costa, Elis Regina, Elza Soares... Minha mãe é baiana, então eu sempre ouvi muita música do Norte e do Nordeste...

E a música sempre fez parte da minha vida, sendo meu remédio, minha válvula de escape. Eu nunca imaginei trabalhar com isso e ganhar dinheiro, transformando esse talento num produto, que é algo a que ultimamente eu tenho me dedicado mais.

Conte um pouco sobre suas influências na música, os estilos que tocam o seu coração e com quem você sonha em trabalhar junto ou quem são suas inspirações.

Minha família é muito musical. Meus tios tocam violão, meu avô era um grande violonista, músico de verdade, de fazer turnê. Ele tinha uma banda nos anos 1950 que se chamava “Os Carijós”. Era também um excelente percursionista. Um músico de ouvido. Era um bom acompanhante no violão. Qualquer música que você cantasse, ele já achava seu tom. Sabia tocar várias músicas, muito inteligente. Sempre fez parte da minha realidade. E, como eu disse, nunca imaginei transformar isso num produto, mas com o passar dos anos na música eu fui naturalmente fazendo mais amigos. Viajando pela moda e fazendo amigos na moda e na música e sempre com pessoas que foram me dando um direcionamento. Hoje, eu me sinto mais forte e mais preparada pra realmente me dedicar mais e me expor musicalmente. Minhas maiores referências são as mulheres da música brasileira, como Maria Bethânia, Gal Costa, Elis Regina, Elza Soares... Minha mãe é baiana, então eu sempre ouvi muita música do Norte e do Nordeste. Essas mulheres fortes, como a Ivete, que é considerada uma

rainha na música. Hoje, temos também uma onda linda com a Iza, que eu amo! E muitas outras referências maravilhosas. Eu sou de Minas Gerais e, claro, tenho referências como Milton Nascimento, 14 Bis, Lô Borges, Beto Guedes… Cresci ouvindo muita música mineira. Desde que comecei a trabalhar com música, me apaixonei mais ainda mais por Caetano Veloso, Gilberto Gil, agora pelos Gilsons, um trio maravilhoso com o José, o Francisco e o João Gil − filho e netos de Gilberto Gil, respectivamente. O trabalho deles é lindo. E, claro, o Kid Abelha é da minha infância, Cássia Eller, Marisa Montes e o grupo Tribalistas, que trouxeram o grande encontro que meu pai amava. Outros, como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho. Quando comecei a viajar, fui descobrindo outras músicas e bandas, como os Beatles. Fui me aperfeiçoando e tentando estudar. Conheci muita gente em Nova Orleans, foi quando eu gravei com Seu Jorge. Foi também quando me apaixonei pela família Marley e por meu marido e gravei com o irmão e o sobrinho dele. Quando voltei para o Brasil com a Maria, mergulhei mais ainda durante a quarentena e gravei muitas músicas. Eu desenhei um novo projeto, que é um disco para ela, chamado “Maria, Brasil Jamaica”. Então, tem muita coisa nova na música por vir.

O que podemos esperar de você no campo musical em 2021?

Tem muita música, muitos projetos lindos que vão ser lançados em breve. Ainda não posso revelar mais detalhes, mas eu estou muito feliz. É um ano da música, não de transição, mas de fusão da minha carreira.

Fotografia da matéria: Barbara Fialho
Edição 42 · Revista Diverso

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... minha família é muito musical. Meus tios tocam violão, meu avô era um grande

violonista...

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Uma música que traz memória afetiva

Maria, Maria. De Milton Nascimento. Meu pai tinha um vinil e eu ouvia quando era pequena. Essa música me inspirou muito. Minha avó chamava-se Maria do Carmo. E o nome da Maria foi dedicado a ela e inspirado pela música também.

Sua comida preferida

Arroz, feijão, ovo frito, farofa e vinagrete.

Descreva Maria em uma palavra

Esperança.

Um lugar no Brasil

Montes Claros, em Minas Gerais.

Sua principal característica

Sou guerreira, “Sangue no Olho”, de Guimarães Rosa.

Um lugar para descansar e viver o resto da vida

Alto Paraíso, em Goiás. Na Chapada dos Veadeiros.

Uma peça de roupa que não sai do seu guarda-roupas

Um terninho preto da Ellus. Eu uso todo dia. (rs)

Uma memória afetiva que lembra Minas

A igrejinha dos Morrinhos, onde eu me casei. Lá, eu ia muito com meus avós na minha infância. Uma memória afetiva que eu tenho: eu indo como criança e eu me casando lá.

O que é preciso para que uma relação amorosa dure e seja feliz?

Hoje, eu acredito que respeito, liberdade e amor. Amorosidade na comunicação, na forma como você lida, como você trata o outro, como você fala e na energia que você passa.

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Capa da edição 42 Publicada na edição 42Folheie a edição completa, do jeito que ela circula.
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