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Arquitetura Ecológica

Oerde começa a virar a batalha contra o cinza. Com o tema da sustentabilidade em alta, os jardins têm ganhado espaço cada vez mais importante nas metrópoles.

Oerde começa a virar a batalha contra o cinza. Com o tema da sustentabilidade em alta, os jardins têm ganhado espaço cada vez mais importante nas metrópoles. A tendência mundial se manifesta tanto em projetos paisagísticos no solo, representados em praças, parques, canteiros, calçadas e entrada de edifícios e residências, quanto nos chamados “jardins verticais”, que recobrem fachadas, terraços ou coberturas de arranha-céus. Além da estética e da gentil interação com a rua, essa arquitetura ecológica ajuda na climatização e na melhora da qualidade do ar e na permeabilidade do solo, aliviando as tensões provocadas pela poluição. “O potencial da introdução do paisagismo é gigantesco, e seu resultado gera ambientes urbanos com biodiversidade e qualidade de vida. Ao ser implantado, o verde se torna um patrimônio para a localidade, promovendo socialização, saúde e proteção do meio ambiente, fatores capazes de reintegrar o homem e a cidade à natureza”, garante o arquiteto paisagista Felipe Fontes. Com pós-graduação em Gestão Ambiental, ele assinou o Jardim das Dracenas, uma espécie de praça da 25ª edição da CasaCor Minas, no Palácio das Mangabeiras. Como o próprio nome diz, o projeto valorizou a dracena, uma espécie de arbusto muito utilizado em ambientes externos e internos. “A planta é um ícone do universo tropical, exuberante, escultórica, com bela volumetria, baixa necessidade hídrica e de manutenção”, descreve Felipe. Embora prefiram a luz solar, as dracenas também se dão bem em ambientes internos, desde que haja boa luminosidade. Para essas áreas, o paisagista indica as espécies: filodendros; marantas; espatifilo; espada-de-são-jorge; begônias; antúrios; fícus; clorofito; jiboia; e costela-de-adão. “O verde pode ser incluído em qualquer lugar e escala em que as pessoas habitem e pode ser planejado, também, sobre lajes e em vasos”, reforça. Vem desse princípio a ideia dos jardins verticais, que otimizam espaços e potencializam o uso do paisagismo. As primeiras “torres verdes” surgiram na década de 1960, mas ganharam repercussão na última década, com ousados projetos, como o Occitanie Tower, do arquiteto Daniel Libeskind, em Toulouse, na França, com 40 andares arborizados; e as duas torres do condomínio One Central Park, em Sydney, na Austrália, com 350 espécies catalogadas pelo botânico Patrick Blanc. “Essa é uma grande tendência e solução para melhorar nosso clima. Tiramos o jardim do chão, por falta de espaço, e o levamos para as paredes, verticalizando e criando ambientes mais agradáveis e quebrando a dureza do concreto”, diz a paisagista Nãna Guimarães, uma das principais referências no tema em Minas. Para ela, a recente relevância do paisagismo se deve ao aquecimento global, uma realidade que não fica apenas no alerta. “A sensação térmica resultante da arborização é transformada. Temos que nos conscientizar disso e trazer, cada vez mais, o verde para dentro das cidades e, ainda melhor, para dentro de nossas casas”, pondera. Nãna Guimarães foi a responsável pelo espaço Jardim das Bromélias, da CasaCor Minas. A inspiração veio do renomado paisagista Roberto Burle Marx, que, em vida, catalogou mais de 500 espécies dessa planta tropical – ele também foi autor do projeto paisagístico original do Palácio das Mangabeiras, inaugurado na década de 1950. Além da homenagem, a profissional se propôs a desmistificar o gênero como opção paisagística de ambientes externos, já que as bromélias têm sido apontadas como foco de proliferação do Aedes aegypti. “A bromélia, definitivamente, não é uma ameaça, pois a água de rega ou da chuva que fica acumulada entre as folhas serve como reservatório de nutrientes. Além disso, a planta possui um suco biológico nada propício para a reprodução do mosquito da dengue”, retifica. Nesse projeto, Nãna resgatou o uso de espécies brasileiras, cuja beleza exótica enfatiza a harmonia entre diferentes texturas, cores e volumes. A paisagista ainda assinou a revitalização dos jardins de Burle Marx no Palácio das Mangabeiras, marcados também pelo uso de espécies nativas, que enfatizam a “tropicalidade” e criam uma aproximação com as raízes brasileiras. “As formas orgânicas se utilizam de vegetações com distintas tonalidades, texturas e volumes e, ao mesmo tempo em que se harmonizam com a construção modernista, buscam quebrar a rigidez do concreto de sua estrutura”, descreve Nãna. E, falando em Burle Marx, vale lembrar que o artista brasileiro é referência consagrada no mundo sobre o tema “jardins”. Em sua visão, o paisagismo era uma espécie de obra de arte em 3D, onde era possível criar por meio de diferentes formas, cores e densidades. Com mais de 3 mil jardins em aproximadamente 20 países, foi em Minas que Burle Marx se projetou, com a criação do projeto paisagístico do Grande Hotel e Termas de Araxá, no fim da década de 1930. “Com 1,3 mil metros quadrados, o jardim da estância do Barreiro foi seu primeiro trabalho de grandes dimensões. É uma criação muito ecológica, com a valorização de plantas locais, como paineiras, ipês, eritrinas e acácias”, conta a arquiteta e paisagista Laura Mourão, responsável pela restauração dessa e de outras obras do gênio, como o Complexo da Pampulha.

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Capa da edição 38 Publicada na edição 38Folheie a edição completa, do jeito que ela circula.
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